sábado, 22 de maio de 2010

Antigamente - nos tempos em que transporte significava cavalo, e iluminação significava lamparina de óleo - a vida era muito diferente de hoje. A fabricação de um fogão, por exemplo, era uma tarefa impensavelmente difícil: o ferreiro-artesão, quase sempre analfabeto, tinha que compreender e dominar todas as etapas do processo; desde elaborar o projeto em sua cabeça, até construir o artefato sozinho, usando toscas ferramentas como forno de lenha, martelo, bigorna... Com meios tão precários, não é à toa que os suportes para as panelas acabassem parecendo algo assim: Uma forma tosca, sem qualquer estilo ou design, que servia apenas para sustentar panelas e nada mais... Mas há um detalhe: funcionava! Sustentava panelas... de qualquer tipo ou formato. Hoje tudo é completamente diferente. No mundo globalizado, o projeto de um fogão é feito por dezenas de profissionais especializados e pós-graduados nas mais diversas áreas: marketing, design, engenharia... O desenho é feito não em uma única cabeça exausta, nem em uma prancheta, mas sim em ultra-computadores com moderníssimos CAD, que geram imagens tridimensionais animadas, que podem ser rotacionadas e observadas sob todos os ângulos possíveis. No fim, com tudo isso, os suportes para as panelas acabam ficando assim: Um design arrojado, atual, sofisticado... realmente o máximo... próprio para pessoas com estilo, que sabem o que é bom... Mas há um porém: ele não serve para apoiar panelas. Ao contrário daquele desenho do velho ferreiro, este não oferece apoio contínuo ao longo de quatro direções. Ele deixa pontos instáveis à frente e atrás, e, assim, se uma panela média for colocada sobre ele, com o cabo virado para frente ou para trás, ela tomba sozinha. Sei bem disso porque esse é o fogão que tenho em casa. Mas os problemas não param aí. Além da perigosa armadilha das panelas que tombam sozinhas, esse prodígio moderno tem um sistema de prateleiras no forno (do tipo que vem para a frente quando a porta abre) que fica inclinado uns 10 graus, fazendo com que os bolos queimem de um lado e fiquem crus do outro! Em resumo: a sofisticada equipe de profissionais criou um fogão que não serve nem para cozinhar nem para assar! Surpreendente? Nem tanto. Na verdade, o caso do fogão é apenas a ponta do iceberg. Atrás dele está o mais grave problema do mundo moderno: a imbecilização de todos nós. Antigamente, o ferreiro não imaginava que acima dele existisse alguém ou algo cuidando do rumo das coisas. Ele próprio tinha que pensar e decidir cada detalhe do fogão, e sabia que, se não o fizesse, ninguém faria. Ele era dedicado à sua atividade tanto quanto os animais na natureza são dedicados às deles. Mas se pegarmos um animal e o prendermos em uma jaula - onde ele não precise caçar, nem fugir dos perigos - a dedicação e o interesse acabam. Esse é o homem moderno. Um ser aprisionado, cujas principais responsabilidades e decisões estão nas mãos de outros: o Estado, a empresa, a mídia... Estes o tratam como um eterno moleque em uma eterna escola; e ele acaba se tornando exatamente isso. Roubaram do homem o atributo mais precioso que a natureza lhe deu: a responsabilidade por sua própria vida. Tiraram o projeto do fogão de sua mente, e o colocaram em um CAD. Substituíram a maravilhosa criatividade de suas mãos por gestos maquinais em uma linha industrial. E o que restou? Dúzias de especialistas para cada minúcia do fogão (e da vida), e nenhum ferreiro que compreenda o fogão (ou a vida) por inteiro. Este artigo é o primeiro de uma série sobre a modernidade. Através deles, tentarei mostrar como - além de estarmos perdendo nossa dignidade natural - estamos nos trancafiando em um zoológico que não funciona! ... mostrar que a era das trevas... é agora. PS: Se alguém souber de um bom ferreiro, por favor me avise. André Carlos Salzano Masini
O elevador entupido impedia os inquilinos do rés do chão de sair do edifico pela boca do incêndio.A situação conduzia a alucinações incomodas, tonturas e desfalecimentos Bill era obrigado a reagir, erguia-se subito e circulava em volta dos próprios pés, engoliria em seco todos os sapos que pudesse o importante era sair daquele estado de alerta máximo.Cá em baixo outro tipo olhava-o estupefacto, pensando que tamanho incêndio teria de ter causa criminosa, oscultava os bolsos da consciência para se certificar de que não era ele o incendiário ,a duvida consumia-o não sabia quantas leviandades o tinham conduzido ás aras do crime O espelho não quisera saber dele devolvia-lhe sempre o mesmo rosto ,por vezes via –se como o assassino de olhos de platina que iniciara a morte da Arte, algures, na terra de Jack o estripador ,numa Paris-Londres bruxuleante de lantejoulas de petróleo e gás de iluminar a rua.Em tempos tinha habitado o prédio, embora nunca lá tivesse querido residir Para si era normal andar pelas ruas erradas a procura da sombra teimosa que o ignorava como a um filho desnaturado, morto que estava para a luz do dia e para as mãos de lavrar a terra e saborear os seus frutos . Deglutia com a saliva da ganância e o medo cariado dos dentes sarcásticos o pão da angustia. Sentia-se filho da chuva e do granizo e das noites passadas ao relento nessa varanda virada ao vazio Agora podia a ver arder para todo o sempre, A vertigem de saber que o cuspo sabia a fel e não estava pronto para a cadeia , Fecharia o pensamento para todo o sempre, seria de outros o que sempre achara seu, como as pegadas de uma mosca lavadas por torrentes de insignificantes gotas de orvalho.Os olhos estrelados de vermelho ,reflectiam as matizes do fogo aceso no topo do prédio que se consumia num fósforo ,hirto como um condenado á inquisição Era o adeus aos laços cor de rosa de uma vida de esquecimento e abandono, no sulfuroso lar que aí construíra, para a missa do quotidiano em família, e sermões de sobremesa fria no palco da geladeira. Do romance "Contos da Praceta" de Alda Pinto-----
Olhava para baixo, o queixo apoiado nos flocos de algodão, ondulava nas correntes mornas vendo e não vendo o que sempre se aproximava, talvez o viessem importunar?... algum carente, por ali sempre havia quem se quisesse içar e não olhasse a meios para o fazer. O vento no entanto, encarregava-se de o afastar dessas figuras funestas. A luz sugava-o como uma mãe protectora: Vem para aqui amorzinho! Sibilava-lhe baixinho. Deixava-se então, levar pela brisa cálida, girando sobre si próprio, rebolando ao sabor dos amenos safanões como uma folha de diário rasgado em dia de bons auspícios. Via o pequeno buraco negro donde em tempos partira expelido pela fumarada sulfurosa que o arrotou para a claridade fresca de um dia de outono lúcido e justo. Era o que pedia, os olhos lavados da manhã, esperando firme o autocarro para o Lumiar.Estrelinhas cintilantes cravadas nos dentes olhavam–no, berlindes zarolhos de afeição e malícia, ofegante como uma boca de rã, escorria babas e molhos. Tinha chegado a hora das delicias, o papo-seco, o fiambre, espremiam queijos frescos pelos queixos abaixo, os lábios percorriam sôfregos essas estradas gulosos e altivos. O amor procurava-se na língua tesa penetrando a boca, direito à campainha.Trin-trin, os olhos viravam-se para dentro e um sol cegava tudo, era o vento que o içava pelos os ares, nariz enfiado nos fios de reflexos acobreados a cheirar a shampô de limão. Celeste era o seu nome, D a sua turma. Extractos do” Diário de Borbulhas”Edições da loja.
O regresso ao paraíso era o seu objectivo, quando de lá tinha saído, deixara Fiona e Idalina na praia, deitadas na areia dourada, os seus corpos crepitando mil luzes coloridas de meter medo ao deslumbramento de qualquer baço.A vida cá fora, era um longo filtro cinzento de condenados, aflitos à babugem de orgone.A energia vital escasseava, apenas algumas ervas quase secas emitiam pequenas vesículas verde desmaiado da energia do amor.Morria-se de asfixia moral, o pensamento não se fixava, a mente rodava sobre si própria como uma tômbola, os olhos estrábicos da multidão dobravam as imagens criando duplos personalizados que caleidoscopicamente se cruzavam em diálogos equivocados de sombras.O sol nascia enfastiado de alimentar este campo de indigentes apressados para a festa do pesadelo.Marcus via tudo isto com indiferença, olhava o mar de ouro que atravessava a terra e sorria ao ver as ondas nascerem com a cara voltada para si, num olá/adeus que foi engano, o mar lindo dos enganos assim chamava ao manto de energia que tinha dentro de si a rebentar cá fora. Extracto do romance de Alfa da Silva “Regresso ao Paraíso”Funcionário da E D PEscritor ao Domingo
A gaja andava mal da carola, o marido desde que chegou a Portugal , só pensava nas putas, não é que na terra dele não as houvesse, até as expõem nas montras, como aos outros artigos de consumo. É isso, o gajo era um mero consumidor de putas, Portugal oferece uma variedade para ele desconhecida, morenas, narigudas, atarracadas e com o invariável, grande cu. O deutch farejava-as com o seu instinto de rafeiro netherlander. A tipa era doida por cavalos, uma chavala quarentona afanada pelos desvarios do alterno hippie, tinha dado a volta à Índia em side-car, tal como o astronauta inter-galático, ao fim de um ano, percebeu que o tempo é relativo e que tinha vivido quase a vida toda num só ano e regressado à Europa como um habitante do planeta dos macacos. Valha-nos o amigo Veríssimo, trinta anos no cadastro, a curtir o body building, full contact no Pinheiro da Cruz, muitas fintas de cantina e algumas rachaduras no crânio deram-lhe o humor possível neste país: assustar as criancinhas na era pós- comunista, anarquista de serviço nas ruas de Olhão a lembrar os resquícios da cultura castiça com cheiro a sardinha e alfarroba. A mula da cooperativa que nunca deu dois coices no velho telhado salarial.Corri com a estrangeirada do meu quintal, já me basta aturar os indigentes deste país, para ainda comer com a sarna dessa Europa Viking de cabelos deslavados e olhos electrónicos à procura de energia grátis para carregarem a pilha da prótese tecnológica que trocaram pela alma.Sou fadista, sou fatalista e tenho sempre razão, ninguém me rouba o brilho cintilante das águas trémulas do cais, filigrana de pensamentos que tecem rotas no planeta e no cérebro dos que o desvendaram. Gosto de falar com gente como eu, e nas voltas todas do mundo só os encontrei na minha terra. Sou atávico tradicionalista resisto às inovações, não gosto da cidade nem da gente que lá mora e muito menos dos que de lá fogem e vêm dar-se ares para ao pé dos indígenas, recusei um futuro promissor de Engenheiro Civil em troca de um curso de linguística animal e, posso garantir que o Rei dos animais é o Burro, por isso transportou o Rei dos Reis na mítica Jerusalém.Percebo melhor que os burocratas anémicos que compõem o Governo que a solução para a famigerada crise económica não é inovar mas sim conservar só temos sabedoria para vender, sabedoria secular de quem tudo viveu e conheceu, sabedoria resignada ao fado da morte fatal que é filha do mar e de Portugal.Saudades do Império mestiço, que nos pôs uma avó em cada canto do mundo, desse Oceano que levamos no peito desértico e sem fronteiras onde a fala vem sempre de Deus. Sim! Deus existe e é Português do signo Peixes e morre todos os dias no mar, multiplicando os peixes e saciando a fome dos mortais. Tenho cérebro de golfinho, muitas circunvalações sem portagem e auto-estradas de conhecimento mais velozes que a estrábica “Net”, sou telepata e posso estar em todos os lugares ao mesmo tempo, sou eterno e renasço das minhas cinzas, não passo cartão a individualistas que confundem a essência com o boneco, e quero viver em paz para ver nascer um pôr-do-Sol em todos os planetas que somos.
...Enquanto Elliot e James fecundavam a sua estranha cumplicidade no lusco fusco dos vazios aposentos do palácio de Miss Elliot na província da Parvónia, lá longe nas lindas praias da Costa Sul Anton Mechirikov, rondava o quarteirão atraído pelo cheiro a rosas das várias lojas de flores que o bairro possuía.Mechirikov sempre fora um sentimental fanatizado pelos perfumes, nada o contrariava mais que o cheiro a cadáver que, por vezes nas sarjetas das ruas se fazia sentir, quando por distracção ou descuido alguém deixava o lixo doméstico à porta das belas lojas do bairro.Esse era o hábito de James, o gosto imundo fazia-o transformar a bela atmosfera florida e odorosa do Petit Cartier (assim era conhecido o “pequeno bairro”) num nauseabundo sarcófago que, da sua janela na torre, olhava com apetites vorazes de vampiro senil em busca de faustosos repastos que, a memória da Parvónia lhe trazia para seu desconsolo e tédio. Dirigia-se então, para a sala de banho à procura dos despojos menstruais, consolando-se depois na cozinha com caldinhos masturbatórios cujas receitas enviava aos amigos, entre os quais e em destaque Miss Elliot.Mechirikov conhecia-o, quando dissimulado de jardineiro o ia visitar para, a pretexto das tertúlias agronómicas em passeios didácticos, procurar nas ervas secas algum cadáver a jeito onde pudesse ferrar. Generosidade que os verdadeiros predadores tinham para esta rapina incapaz de caçar o que fosse para alimentar a gula desorbitada que se lhe sentia no olhar.Por várias vezes, James tinha sido escorraçado quando tentava espetar o dente em presa viva : uma pata choca, ou mesmo uma andorinha do beiral, eram presas inacessíveis à sua desajeitada destreza de abutre, só os despojos eram acessíveis a esta ave agoirenta. O mesmo se passava com Miss Elliot.(...) Extractos do Romance inédito “Abutres e Hienas”Sir Joseph Badmington, London 1839
... cinismo e impotência, sinais de decrepitude meu caro James!- A nossa cumplicidade profunda Mss Elliot!- A solidão em que fiquei depois do Sir Hallicot me ter deixado naquele fatídico Verão em Yorkshire, a mim e aos meus filhos, que só pela imensa bondade de Sir Fred e Lady Mary, não caí no mais negro e tenebroso abismo que às almas sensíveis, como a minha, parece o destinado.- Não sejais tão pessimista, a tragédia tem sempre algo de apetecível e por vezes gostoso.- Que humor tão sinistro tendes por vezes, James!- Nasci assim, e já a minha ama notava uma corcunda pronunciada, agoiro familiar que nos atira para a necrofagia.- Credo!, Sir James falais como ave de rapina.- Miss Elliot, há uma fase na vida de todos nós, em que devemos assumir a imagem que o espelho nos retribui.- Quereis dizer que vos sentis uma espécie de abutre?- Nem mais! Mas acrescento que nunca me passou despercebido em vós um certo gemido que evoca a selva, mais concretamente aqueles latidos sinistros que enunciam os repastos da podridão.- Julgo que insinuais que estais defronte de um chacal ou hiena.- Nem mais! Minha cara Miss Elliot.- Que ofensa, Deus do Céu!- Sempre admirei a forma ingénua com que disfarçais o vosso gosto por carne podre.- Contenhais-vos, peço-vos!- A verdade virá ao de cima, o homem não estava morto e vós tentastes arrancar-lhe as vísceras, por isso acorri logo a ajudar-vos, não simulais agora a inocência.- Estranha cumplicidade a nossa, o amor nasce em nós do desejo necrófilo?- Não somos os únicos, e isto tende a acentuar-se com a idade.(...) Extractos do Romance inédito “Abutres e Hienas” Sir Joseph Badmington, London 1839
A Couve-galega.Plantar em sítio definitivo, no início da Primavera.Urinar diariamente (com algum desprezo) as folhas e o talo.Observar o crescimento e evitar o ataque dos vermes.Principais Inimigos: - O verme literário – devora todas as folhas e rebentos deixando só o talo, engorda, forma casulo e no final arma-se em borboleta e bate à asa. TRATAMENTO 1 -urinar para cima das folhas esfregar as folhas com merda fresca se possível do dia ou colhida nas estrumeiras da cidade; TRATAMENTO 2 – apanhar o verme à mão de noite e esborrachá-lo contra a parede mais próxima ou esmigalhá-lo numa folha extraída a um livro de poeta pútrido e ambicioso tipo dos que se encontram nos escaparate das retretes da crítica cagona da moda.nota: as couves plantadas em vasos ganham mobilidade evitando o ataque dos parasitas, mas precisam do carinho do agricultor pois devem acompanhá-lo para todo o lado, acabando como é óbvio por se tornarem um fardo incomportável restando ao proprietário cozinhá-la, comê-la e cagá-la pondo fim a esta épica de alimentar seres vegetativos. Animais amigos: Serpente, Cão e Gato Animais inimigos: Búfalo, Cavalo, Caracol e Galo Animais indiferentes Tigre, Macaco e Mosca *nunca adubar com terra ou turfa comprada nos “cento e cinquenta”, são produtos falsificados fruto da ganância pequeno-burguesa, do lucro fácil e da promoção a qualquer preço.
Neste País de Merda, onde há mais de IV séculos impera o espírito inquisitorial, nesta terra de bufos e de maricões, às vezes atravessam-se fugazes como cometas, seres luminosos, que incendeiam as noites longas da nossa obscura mentalidade. Tive o privilégio de ser amigo de algumas destas almas benfeitoras, que são as únicas de que o futuro terá memória. A Humanidade, alimenta-se no seu todo da Pura Essência que esses Espíritos destilam, sem esse soro já há muito que tínhamos deixado de existir. Eles são energia pura, que carrega a força vital e que sustêm o Projecto Humano. Quando gerações futuras olharem para trás em busca de direcção e elos para se lançarem na Vida, esses seres raros serão as únicas fontes de inspiração no deserto onde outrora brilhavam fogos factos, labaredas de vaidade que o tempo transformou em cinza. Este Português genial dava pelo nome de “Telmo o Marroquino” e foi para nós o que um Paco de Lúcia, um Carlos Santana, um Manitas de La Plata, um John Mc Laughin, ou um Aldo di Miola, foram ou são para os povos donde imergiram com a diferença, no entanto, de não ter tido o acesso à Universalidade que esses génios da Guitarra tiveram porque teve o fatídico destino da genialidade portuguesa, ser assassinada na sua própria terra. A viscosa inveja e a pútrida ignorância que é o veneno que polui todos os poros desta Pátria de Filhos da Mãe, que só fabricam a Crise Transformam-se então, definitivamente em náufragos ou Filhos da Puta triunfantes. Aí cabem todos os que, apreciadores ou companheiros de profissão, deixaram ao abandono este talento desmedido que os podia ofuscar. Aí estão, os Rãos Kyaos, os Jorges Palmas, os Vitorinos, e outras Putas manhosas, que lambem os tachos de merda que o patrão das editoras lhes dão a comer, como cães dóceis abanar o rabo ao osso do sucesso. Eu assisti a essas facadas traiçoeiras da mediocridade reinante e testemunho aqui, em nome daqueles que como eu, viram definhar o génio de Camões, de Pessoa, de Antero, de Camilo, do Rui Leitão, no Passado e no Presente, às mãos destes chacais da política do empata que tem mais adeptos do que se julga, que são da direita e da esquerda, de cima e de baixo, dos caretas e dos freaks. Mas que são sobretudo deste país medíocre, que enterrou nas areias de Alcácer Quibir, e nunca mais levantou o estandarte do heroísmo marítimo. Foi onde conheci este Homem, nas praias da Fuzeta, onde a brisa ainda traz o cheiro da inspiração antiga, tocando nas ruas da aldeia da Maria Barroso, onde o Zeca Afonso vinha carregar a coragem do Canto Livre, e onde em profunda comunhão, navegou na Caravela do “amigo Telmo”, por todas as Grândolas Morenas que a sua alma Lusíada cantava, dos Marrocos às Índias e Africas, a sua guitarra inspirada nos transportava a alma de revolucionários de 68, “Hippies” libertários esparrachados nas areias da Ilha de Tavira entre copos e ganzas assistíamos ao nascimento da cultura mais luminosa desta civilização e é este um dos seus grandes Profetas, que agora morto, e sem funerais papais nem pergaminhos históricos, se vai afundar como os ricos Galeões do El Dorado nas Costas deste Portugal Imenso e maravilhoso, mas todo ainda perdido e escondido no fundo dos oceanos da nossa memória Planetária. Umas pauladas nos cornos das aventesmas que somos, é o que desejo, para curar a manhosa amnésia que nos envenena a vida. Haja porrada a sério nos brandos costumes da repressão, muito sangue derramado em honra dos heróis, a guerra Santa aos Infiéis das Fátimas Fadistas, das Tascas modernistas, dos socialismos fascistas, Glória aos faróis solitários que rompem a bruma da memória e vêm o Império no fundo da latrina misturado no mijo e na cagufa de todas as raças.
Depois de derrubado o último forcado que, sozinho e abandonado pela equipa, tentou pegar os cornos de Portugal de caras. Vimos "inteligente" Sampaio mandar chamar as vacas socialistas e o moço rabejador tentar a cernelha. Sabemos pelo passado a tendência malabarista e maquiavélica dos moços socialistas para se aproveitarem das vacas cabrestas e porem-se à mama gritando -CAMARADAS! O POVO É QUEM MAIS ORDENHA!Somos de facto um país com muita
A esquerda direita vai infectar definitivamente o cérebro dos portugueses. Na história da filosofia, o primeiro Sócrates infectou o pensamento ocidental de comiseração miserabilista confrontando a ética naturalista dos gregos com a moral democrática dos desvalidos da sorte e do talento.O último Sócrates, vei à luz nas trevas socialistas para nos infectar com o último avatar do vírus da socialite crónica que nos atacou desde o 25 de Abril, estes burocratas parasitas do aparelho de estado querem alimentar-se agora dos choques tecnológicos e engordar os sacos azuis a intermediar as negociatas de electrodomésticos e quinquelharia informática paga por nós todos aos seus primos e parentes, estabelecidos de véspera no mercado "chupa-cabras".Portugal moribundo prepara-se para o último suspiro com este virulento e absoluto ataque maioritário da socialite aguda.É este o fatal desfeicho de um povo fragilizado por 80 anos de paternalismo burocrático, acobardado e incapaz de apostar na sua liberdade, autonomia e responsabilidade, esteticamente embrutecido nos modelos grotescos da pança social, povinho pacóvio e ruralista, perdido na sua gula de Franciscano.
A prioridade do futuro modelo civilizacional é o ambiente.Disso estamos certos.Assim, é preciso perguntar, porquê essa certeza ?A resposta é simples, o ambiente somos nós, e nós seremos sempre e definitivamente a prioridade.Então, porquê tanto desarranjo ambiental?A resposta só pode ser - não sabemos viver em harmonia connosco, somos maus amigos de nós próprios, não sabemos provocar o nosso bem estar?Parece que é aí que reside o problema, uma má relação connosco.Mas afinal é um problema de maus procedimentos de acções incorrectas para connosco, má gestão do nosso corpo, da nossa mente e baixa energia consequente, inoperatividade na luta pela vida, dependência em relação a terceiros e perda de autonomia com a consequente perda de autonomia e de direcção própria.Aqui chegamos ao cerne do problema, o homem não sobrevive sozinho e cria dependências, mas desarmoniza a sua vida quando deixa essa dependência ser unilateral e aí a perda de autonomia que pode conduzir à perda de respeito por si próprio a uma imagem débil e impotente de si.A dependência em relação ao dinheiro e ao que ele possibilita é uma forma de grande alienação resultante de uma má apreciação das necessidades e da qualidade de vida do corpo e do espírito.Todos os seres vivos nos dão lições a esse respeito, a perda de consciência biológica leva-nos a aceitar como soluções respostas que contrariam o mais elementar instinto de sobrevivência e a provocar asneiras de consequências assustadoras e lesivas da vida no planeta.A Humanidade precisa de reguadas no traseiro de ser sujeita a tratamento psiquiátrico profundo.A civilização carece de civilidade, a morte e a doença são os prémios de tanta asneira acumulada.Passemos então em revista o modo doentio por comparação ao saudável.Homem urbano, o falhanço da inteligência natural e a prótese como substituição do natural. O maior aborto legal é o homem urbano, a toxicodependência feita modo de vida.Ele é o vampiro da natureza, o aleijado de alma que tudo e todos devora para existir mediocremente, o ser desprezível que humilha a vida e que por é por ela eliminado e morto pois não encaixa na ordem que o fez e comanda.Devemos celebrar a sua morte e acelerá-laEis como fazer:Deixando-o encerrado no seu habitat - a cidade- e não lhe dando hipóteses de nos vampirizar, matá-lo à fome deixando de lhe fornecer alimento.Como o seu trabalho consiste em arranjar formas de obter a sobrevivência à custa dos outros é urgente abandona-lo à improdutividade dos seus actos, isolando-o dos reais meios de produção da vida.Dentro de pouco tempo estará a bater-nos à porta ou encontrará uma das suas soluções para morrer mais depressa o que nos poupa o trabalho,O importante é deixá-lo morrer por si próprio e impedir que nos envolva no seu jogo doentio.Doença que Reich chamou de peste emocional, infecção que subjaz a todas as outras inclusive a simples constipação, purga necessária para quem está no purgatório, desse lugar periclitante as direcções normalmente apontam para baixo - o inferno esse, é o habitat do diabo, esse fanático da urbanidade - promotor da degeneração pessoal e colectiva que goza do monopólio da informação social mediatizada, sem cheiro, sem hálito ou tacto rei de todas as dependências pai dos políticos e de toda a outra classes de diabretes e diabretas que mascarados no pó de arroz da imagem sem alma, onde até os mortos FALAM COMO OS VIVOS QUE NÃO SABEMOS SE ESTÃOI JÁ MORTOS tal as nuvens de enxofre que nos embriagam e adormecem até a perda de tudoJerónimo Boch viu nascer o inferno e os seus diabos mentores nessa celebrada renascença mãe da feiticeira ciência e das suas bruxarias promovendo o sabat a ideal social fazendo da noite dia e a febre de febra a American way of dead on Saturday night fever.Morrerão todos na lava cancerígena que os irá engolindo lentamente mesmo antes que derretam as calotes polares e vento do norte os apague para todo o sempre.A profecia de Noé repetir-se-á no coração dos justos a natureza não morre, pois o seu alimento vem de Deus e da sua Lei.Não vale a pena rir nem chorar só - Fé na Ordem Natural. Aquela que criou o sol que diariamente se dá ao trabalho de nos trazer a vida para fabricarmos a morte de que temos tanto medoMas a quem oferecemos este néscio viver cobarde inútil de querer eternizar as horas matando os momentosQuando a consciência nasceu o homem viu Deus ,Quando o desejo se fez Eva a morte inventou o corpo e a alma viu o lixo do mundo cair-lhe em cima.Hoje vive soterrada por baixo do entulho de alcatrão e cimento Que o demo baptizou e babel eternizouMeditemos no que temos debaixo dos pésOuçamos o coração da terra as suas preces aflitasCarregando bagos contaminados vem a laboriosa formiga mineira a inocência foi traída como as crianças pedofilizadas.Os vampiros desprezam tudo a sede que os moveNão vê almas nem corações encerremo-los no seu próprio ninho Sufoquemo-los no seu próprio cheiro.Façamos politica com as nossas próprias mãosExcluamo-nos do social integremos o ideal. -----
hoje tive um sonho como um post. sonhei que a paz tinha descido sobre o mundo, e os corações de metal se tinham transformado em pedra branca igual à do santuário de fátima. e assim petreficados num alvo marmore deixámos de fazer mal uns aos outros. ainda não foi inventado o elixir da paz. uma espécie de clister de argamassa que nos transformasse em estatuas adoráveis como a pietá. e assim pudessemos permanecer como exemplo edificante para turistas e outros planetas verdes de preferência. marcianos, aficcionados, que ambicionando a nossa alva e petreficada alma se esburrachassem em massa verde como esparregado nos santuários da nossa pasmada religião da imobilidade imobiliária. a paz de pedra é melhor que a paz podre. dura mais e não cheira mal. é fria, eu sei. mas é dura enquanto dura. apaixonei-me por uma pedra como o lobo antunes, mas parti a picha quando tentei fodê-la. as pedras não fazem amor, só provocam dor. o lobo antunes devia apaixonar-se por uma bosta de boi e comê-la. assim, já tinha mais merda para escrever
discute-se muito a sustentabilidade e os seus modelos essa é a questão chave deste milénio. Ou há sustentabilidade ou morremos todos.Mas afinal o que é que é sustentável? o Ser. Não!O Ser é insustentável, diz Kundera. Eu digo o Ser é insuportável.É certo que o prosaico é sustentável a prozacs, mas a minha consciência biológica diz-me que é insustentável. Ai radica a radical raíz, no fundo do ser há a biologia, no fundo do corpo há intestinos, aí radicam as raízes da vida do Homem e a base do seu pensamento.Andamos intoxicados e só fazemos merda. Pesa-nos a consciência e cagamos sentenças.
discute-se muito a sustentabilidade e os seus modelos essa é a questão chave deste milénio. Ou há sustentabilidade ou morremos todos.Mas afinal o que é que é sustentável? o Ser. Não!O Ser é insustentável, diz Kundera. Eu digo o Ser é insuportável.É certo que o prosaico é sustentável a prozacs, mas a minha consciência biológica diz-me que é insustentável. Ai radica a radical raíz, no fundo do ser há a biologia, no fundo do corpo há intestinos, aí radicam as raízes da vida do Homem e a base do seu pensamento.Andamos intoxicados e só fazemos merda. Pesa-nos a consciência e cagamos sentenças.
Aquecimento Global O esquecimento global está-nos a conduzir ao aquecimento global O desaparecimento das alcateias de lobos conduziu a um aumento desproporcionado de carneiros, a inteligência artificial anulou a saudável descontração da estupidez natural forma mal cheirosa de pensamento que antecedeu o profundo amaricado do pensamento digital. A falta de onda e o acréscimo de pensamentos embalados ingeridos à pressa pelo microondas televisivo está a provocar hemorróidas no cu municação social. A crise existencial não se consegue restabelecer no túnel do Rossio devido à pressa dos utentes em encontrar alternativas para chegar a casa a horas da Quinta das Celebridades. O serviço nacional de saúde vai cobrar uma taxa proporcional à infecção que cada doente provar contribuir pro capital – doença universal.
Passamos a enumerar, arrumados por secções socio-profissionais aqueles em que reconhecemos o espírito pérfido da traição. Os judas que por trinta dinheiros saldam a alma do nosso povo crístico que crucificado no lenho das embarcações deu de comer o pão e o vinho com que se fez Portugal. HERMAN JOSÉ: O bobo da corte.Do cardeal. Do abade Soares.Esse exemplo do Portugal sem nobrezados putanheiros e salteadores da dignidade perdida,àparte o ter sido bafejado por uma alma portuguesafaz tudo para a corromper.Ferve-lhe no sangue o verrasco germânicoentre o furioso desdem e a masoquística timidez maricas.Contorce-se carnavalescamenteem odes ao dinheiro ganho a rire ao sexo mórbido e infantil
protótipo do colonizador colonizado.O ressaibo plebeu de quem herdou a deserdação.Gostava de ser o patrão dos pobres.Em troca, o barrete estalinista por bons serviços prestados ao inimigo absolutode tudo e de todos adiadas as almaspara o dia do baptismo na grande igrejado comunismo futuristaonde os porcos são menos porcos que os comunistas.A saudade portuguesa congelada no frio do Kremlime hipotecada para umas férias sensuaisno caraíbe do Fidelou nos retiros místicos de lanzarote da PilarO maestro sem batuta e com batota.Em arte, o que não sabe fazê-la, ensina-a.O grande génio do Hitler ou do Salazarfoi confundirem a sua identidadecom o aparelho da rádio que presidiaaos serões dos anos 30/40.O poder era entrar em casa das pacatas famíliase falar-lhes como um espírita em noites de assombro.A cultura esmaga e a televisão dilui.O Vitorino esmaga e dilui os miolos dos portugueseserguendo-se como sumidade rival dos detergentes Betovenem concorrência da margarida vaqueiro.Na política cultural mais barata e menos eficazque é a de substituir a laranja pela Sumol.Populismo. Vedetismo. Soarismo. Compadrismo. Mediocrismo.Ausência de raíz e de coerência na indiferença pela erudição popular:O pequeno Portugal dos portugueses grandes.O Julião foi para a américa por terum metro e noventa e oito de altura e calçar o nº 51.Tamanho pésudo,só poderia fazer carreira numa terraonde os sapatos seriam pequenas traineiras em Portugal.O Julião é longo como o Richard Long.Inteligente como o Julian quando foi à missa e o cão comeu-lhe a piça.Vai daí o Julião só pensa nela.E com a emblemática literatura visual pós modernavai esgremindo o pincel na telacomo se estivesse em cima dela.Americanas é o que ele gosta.Artistas ou galeristas,espeta em todas o pincel produzindo telas a granel.Tal Ives Klain, sem o azul do sonho,nem a coragem do macerico.Envia-nos directamente de New Yorque a arte que os outros despejaram no penicoO casamento entre a raça combativa do boi espanhole o jeito amaneirado da Júlia Floristana voz rouca das tabernas do Pacheco.Lisboa ergue a taça e celebra-se autêntica.O charme do europeísmo secular e elitistarevelando a classe e o espírito dum Portugal de exportaçãosem complexos e desafiando a mediocridade e a inveja.O autor raiano levanta o facho da nossa graçasem concessões reacionárias ou consumistastornando-se um dos poucos produtos autênticos da nossa cultura,numa arte popular da tradição e prestígio.O continuador, mestre Gil Vicentesabe beliscar o poder e mostrar as garrasda verdadeira autonomia: a competência.-----O fado negro da felicidade etérea.A aristocracia da terra casa-se com os eleitosdo fado para desaguar no além.O menino Hermano dos Câmaras conduz na sua voz amalianaas caravelas do nosso desejo de morte e além.O padre é o papa do bairro.No fado a missa do coração não permite à razão que erga o trono da distância.A ternura é a chave do amor.O povo tem a missa garantidano transporte infinito da voze na âncora das mãos dadasda solidaridade instante que afaganos braços o público como próximo
Os inimigos da pátria são esses portugueses herdeirosdo judaísmo apátrida que sem identidade nem raíz,ciganos, nómadas no espírito,tudo vendem e tudo compram sem olhar à alma que produz com amor e suora mercadoria a quem roubam o serpara no parecer a mascararem no bacanaldo consumo e do lucronuma qualquer coisa sem pátria e sem raíz.
A conquista de Espanha é a missão de Portugal.Restituir às nações ibéricas a sua autonomia.Viva a Catalunha! Andaluzia! País Basco! Castela!Livres e autonomos como secular reino de Portugal.A primeira e única nacionalidade livre e independente das espanhas.Espanhóis somo nós, portugueses.Antes dos outros como castelaque quis ser Espanha mas foi derrotada pela feroz e altiva raça das outras nações ibéricas.Vamos partir para uma nova era ibérica.Portugal liderá a grande e universal alma dos povos peninsularesà construção da grande nação planetária.As virtudes dos nossos povos forjam a combinação mais espirituale lúcida que o planeta conheceu em termos de civilização.A civilização do amor universal tem o seu centrono agora e para o futuro denominado porto-gral.
Decretada a partir de hoje o sacro-santo império dos meninos.Condena às trevas e ao desterro afectivo todos os ímpios que sem sentimentofalam ao sangue adormecido dos avós.Mário Soares nascido das banhas entermiadas do toucinho comunistamais ganancioso da carne tenraque da ferssura fétidaé condimento de toda a sopa dos pobressem contudo lhes alimentar o ânimo. Herói do antinacionalismo arrivista das avenidas novase de Portugal imobiliário a saldos nos grandes centros comerciaisonde com a mulher faz as compras no corte e na costura.Traiu a direita e a esquerda comunista do amigo Cunhal.Este também traidor estalinista dos trabalhadores portugueses.Salazarista de esquerda sempre se reviu como a gémea face negra do seu homónimo Salazar.Mais astuto e menos intelegente e responsável.Social porreirismo da pequena burguesia burocrata e golpistaencontrou neste monte de banhas o gerente do grande super-mercado de patranhas em que quiseram transformar Portugal. Quinta coluna do oportunismo europeué a ponte para a total hipotéca e falênciada crebilidade de Portugal no mundo.Republicano de quinta categorialaico como todos os sacristãos em dias feriados,professa os seus amigos artistas:Saramago. Pomar.O sentimento de falência pátria para mendigar a esmolada atenção dos fazedores de nóbeis e ignóbeis da legitimação do império satânico do ocidente. Construir uma ponte para o futuro só por cima dessas cabeças.As nossas crianças pedofilizadaspor esses modos socialistas e fessureirosexigem a reabilitação da frontalidadee da coragem sacrificada dos que construiram Portugal com trabalho,mérito e total sacrifício.O modelo edificante do português conquistador e aventureiro,temerário, herói de todos os mares.A nossa santa pátria portuguesa.
A Senhora de Fátima mostrou a sua identidade velada.O mito ressuscitou a mulher como o futuro do homem.Muçulmanos e cristãos ajoelharam-se aos pés de Fátima.Carmelitas e fatimitas trocaram entre si as contas do seu rosário comum.O Papa abraçou os seus colegas, deixou cair os louros de Césare submeteu-se à morena tez da mestiçagem comum.A aristocracia popular ergueu-se para o seu sonho ecuménicona sacro-santa ibéria de todas as raças e credos.A religião do povo, sabedoria das místicas navegações sem credos e sem raças,converteu o guru das índias malucas às sensuais amazonas.Paraísos perdidos e sempre reencontrados no pó que veste as sandálias franciscanas.O milagre dos peixes somos nós.Santo António e do menino, dos moços casamenteiros.Profeta dos peixes que navegaram e navegam a boa nova em todas as direcções. A alma do mundo, coração sem fundo.Mistério e revelação. Portugal.Portugal da nova restauração.-----
Luduvico olhava perdido o céu sem fim, pensava na sua aldeia na Baviera.Prostrado, agonizava sob aquele Sol escaldante, a ambição e a necessidade de governar vida levara-o a alistar-se nas hostes Sebásticas,para um presseguido gnóstico Porto Graal, como gostava de chamar, era o único lugar no mundo onde se sentia seguro.Porém, agora com o sangue a subir-lhe à garganta vomitava a guerra e todo o desvario que o sonho Lusitano tinha lançado em terras de Mofomá.No Algarb de Cima a vida fora bem mais tranquila, recordava pesarouso a corrida de touros na praça do convento de St.ª Clara na cidade de Faro dos já há muito idos senhores Al Haruns.Vira aí o garboso rei Sebastião lidar o mais feroz touro da tarde, o altivo porte germânico na sua elegante figura montando um belo lusitano branco faziam–no semelhante na magnitude ao seu avô o Imperador Carlos V senhor da Espanha e do enorme império Austrohúngaro .Seria talvez por isso que, deslumbrado e seguro pelo sangue da real figura, embarcava no sonho conquistador do último dos reis da Cruzada Templária.Longe, ouvia-se o alarido dos derradeiros combates, o Lusitano viçoso das touradas de Faro corria agora assustado pelos petardos da bombarda, o seu dono, o cavaleiro da armadura de prata batia-se no chão com duas cutiladas em cada perna A expressão era beatífica, a ferocidade não lhe roubava o sorriso irónico. Morria saboreando a luta lentamente, bailava ajoelhado nos coutos banhado de púrpura escarlate, luzindo o ferro ao sol poente, perto José de Vivar, seu leal e fiel companheiro de sempre gritava-lhe: - Morramos, mas devagar! meu bem amado Sebastião, que o Império renascerá nestas Terras do Templo.Vivar era descendente de Rui Dias de Vivar, o Cid Campeador, o maior herói peninsular. Corria-lhe nas veias a vontade de justiça e o espírito de cruzado Ibérico, metade Mouro metade Cristão, como desde o inicio a ordem templária de Cristo vulgarizou.. Nessa diáspora moçarabe que foi o império Português, o eucumenismo e a tolerância por todos os credos era a lei dos descobridores.Incorporara a Ala dos Espanhóis que comandava sob as ordens de Sebastião, reconhecia-lhe dons beatíficos, uma iluminação rara, os santos da estatuária não o saberiam traduzir, só o S.Vicente dos painéis de Sintra mandados pintar pelo heróico João I, para celebrar, pelo punho de Mestre Nuno Gonçalves, genro do inventor da pintura moderna, VanEyck, a religião do Espirito Santo.Sebastião deleitava-se com os amigos a contemplar essas dignas figuras, símbolos do engenho nacional, costumava reconhecer os seus companheiros nas figuras retractadas como representantes do melhor da nossa raça, ali reconhecera o luso hispânico Vivar, chamava-lhe o homem de trás, pois dele só se via a cabeça no plano último do quadro.E era de trás, sim senhor, tal como o Cid seu antepassado, tinha o sentido do serviço desinteressado, senha dos verdadeiros heróis. A vontade de justiça, levavam-no a colocar-se na retaguarda e zelar pela missão até ao fim; a dar força a todos os que noutras posições mais avançadas iam recuando em cobarde desânimo, empurrava-os para frente continuadamente gritando impropérios e obscenidades ou evocando os ideais da conquista.Assim, estava acontecendo nestas horas derradeiras em Alcacer Kibir, ele e Sebastião desfaleciam sobre a cobarde sanha de um montão de mouros, os dois lado a lado, os guardiões do poderoso exército desmantelado, o homem da frente e o detrás unidos como a serpente sagrada oroboros lutavam cientes que o seu fim seria o renascimento eterno do Graal, Porto Graal perder-se-ia ali, sob a fúria cobarde da fanática moirama, roubando ao mundo o seu sonho ecuménico, as trevas sobreviriam!O Norte e o Sul fariam uma fronteira encarniçada, lançariam a humanidade no caos. Cristo e Maomé lutariam na mente atrofiada pela ganância que, a norte, sem mística reduziria o humano, em angústia suicida, à máquina robótica. A sul, o azedo sabor das areias pútridas fanatizaria a inveja e o ciúme na intolerância dos pobres encomendados a Deus.O Sonho Ibérico forjado nas andaluzias moçarabes, dera ao mundo novos mundos, e riquezas sem fim, ensinara a Terra Una, superara todas as civilizações conhecidas, unira a humanidade, e criara a Raça do Futuro nessas Américas Multiraciais, que o Sémen Ibérico fundou com genes alimentados por todos os ecossistemas. Sentado numa esplanada, bebendo sucos leitosos sob o Sol ameno, no torvelinho do mercado, AlKacerKibir, falava-me de mim. Finquei os dedos no solo, levei a terra à boca, senti o sangue encher-me os olhos numa tontura de ódio, gritei:- PortoGraal!Os olhares do rebanho, viraram em unísono para mim, um ancião à minha frente sorriu cariado. Esquálido e ligeiramente curvado, gritou numa gargalhada extasiada: Porto Graal, PortoGraal!Todos aplaudiram saltando e dançando rindo entusiasmados, abri os braços, e exclamei, olhos no alto:- Alcacer Kibir!Fez-se um silêncio súbito, duas mulheres avançaram trazendo uma jovem pelas mãos, chegadas junto a mim, ajoelharam-se empurrando ligeiramente a adolescente na minha direcção, baixando a cabeça com veneração, disse em voz trémula:- Meu Cid!O Velho olhou-me malicioso, e pegando na minha mão, colocou-a sobre a dela, apertando as duas firmemente.Intrigado, perguntei: - Quem é esta moça? Árabe (pensei).Foi então que, uma voz maviosa se desprendeu como um pássaro branco daquele corpo franzino: - Sebastiana, Cid.Lancei o olhar em redor, a multidão olhava-me com irionia alguns apontando para mim repetiam: - Sebastiana! - Porto Graal! – Cid!Gritei, então, com a maior das convições: - PORTO GRAAL!!Ouvi um eco imenso, uma enorme turba ocupava agora o centro do mercado, frente à varanda da esplanada onde me encontrava,Senti a febre da liderança a crescer nos olhares, alguns homens avançaram e pegando em mim levaram–me em ombros gritando: - Portgraal! Sebastiana!Passei então, umas grandes portadas com arcos manuelinos onde julguei ver as armas portuguesas, entrámos em grande correria pelas muralhas de uma fortaleza, os cães latiam e as crianças saltavam, excitadas pela multidão em avalanche. Estacámos junto a uma muralha. Entre as ameias via-se o mar o belo e imenso Atlântico A escarpa abrupta polvilhada de lírios silvestres de uma brancura imaculada terminava numa praia dourada com um pequeno porto, onde, soberana, atracava uma bela traineira, no mastro, uma bandeira Portuguesa flutuava garbosa, na proa desenhado em letras góticas estava o nome: Sebastiana de PortugalApontavam para mim e para a traineira, receei que me quisessem acusar de algum tráfico ilícito e me fossem agora jogar pela escarpa abaixo, vi então alguém a acenar do barco. A multidão arrancou súbito e em alguns minutos estávamos lá em baixo, nada percebi do trajecto, preocupado que estava em não cair dos ombros dos meus transportadores.Chegados, fui posto no chão. Um homem que percebi ser meu compatriota, apertou-me a mão,- Joaquim do O, sou o mestre, somos de olhão!- O amigo parece que é cá famoso?…, todos os dias oferecemos um garrafão de vinho tinto, em troca dão-nos artesanato de categoria e droga.É um bom negócio e para nós acrescenta ao peixe que, anda pelas ruas da amargura, mas afinal quem é você?- José Vivar, vivo no Algarb de cima, como vocês!- Agarb de Cima?, essa é boa, nunca tal tinha ouvido.Olhei para o lado, Sebastiana parecia querer dizer algo, quando foi interrompida pelo mestre.-È a Sebastiana, filha de Português e de uma cá de Alcacer, o pai desapareceu há uns anos, chamava-se Sebastião, era de Lisboa um desses drogados que para aqui veio fugido da polícia em busca de haxixe e da morte lenta, viveu aqui muitos anos, andava com um tal de José Vivar a quem chamavam o Cid, um gajo porreiro que todos aqui temiam e respeitavam. Os dois tinham um negócio, alugavam quartos e faziam expedições por Marrocos e Mauritania, até que um dia desapareceram sem rasto, a pensão continua fechada ninguém aqui quer ocupá-la, respeitam muito a memória desses dois, parece que eram unha com carne, a miúda, a Sebastiana é quase uma mascote da aldeia.- Agora estou a reparar… como é que vossemecê disse mesmo que se chamava?- … Humm, NINGUÉM, NINGUÉM…respondi evocando os Sebásticos enredos de João de Castro.- O vinho já regurgitava nas gargantas embriagadas do Kiff quando nessa praia de fogueiras semeadas, os voos meliantes das gaivotas deram lugar ao merismático canto dos adufes berberes e às nostálgicas melancolias do fadário AndaLusitanio.
Vendo tudo o que puderPrestes a emigrar para todos os ladosTroco por patacos todo o secular património familiar Comerciante de AyamonteInteressado em comprar por preçoRazoável espólios familiares, comerciais ou industriaisPago em dinheiro fresco na hora. Ex-funcionária pública, formada em Gestão de empresasOferece-se para qualquer serviçoBoa apresentação e alguma facilidade em relações públicasE privadas.Telefone para mim Ex-marítimo com larga expriência no alto mar29 anos de idade, divorciado,oferece-se para acompanharsenhoras socialmente abastadasde preferência de raça estrangeira. Ucraniano formado em Engenheiria CivilProcura trabalhadores Portugueses para trabalhos não qualificadosduros em empresa própria. Ex-empresário da construção civilTroca filha abusada e mulher ainda em bom estadoPor ucraniana jovem e loiraNão importa se prostituta ou alternadeiraNegocia directamente com máfias do ramo. Ex-funcionárias da administração públicaOferecem-se para acompanhar estrangeiros instalados emPortugal Ajudar a compreender os aspectos burocráticosIntrodução as práticas ilegaisServiços sexuais grátis se desejarem.
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Os pés doíam-lhe, há três dias que caminhava quase sem parar.Passou a escova no cabelo num gesto lento e preciso.A rede enlaçara-se nuns caixotes de fruta para ali jogados ao acaso.Os lábios ressequidos pediam um pouco de água mas só o suor escorria salgado, olhou para o lado, o exemplo de Deolinda, a vizinha amiga e solidária que a incentivara, devolveu-lhe o ânimo.Via o seu formosinho rosto, ainda imberbe, ganhar os contornos de mulher fatal. Os seios empinava-os com as mãos, formando um rego bem vincado, um cu saindo pelo decote da camisa.Foda-se! Tinha os pés dentro de água e um buraquito na sola inundara-lhe a bota regelando os dedos, puxou com força e sentiu a malha estriçar soltando-se, caiu de costas mergulhando o corpo quente e enchuto naquela água gélida.Mergulhou completamente, a água massajava-lhe a pele quente, olhava o seu corpo na ondulante transparência, lá ao fundo um tufo de algas negras ondulava, no centro uma boca, que podia ser de peixe, babujava ofegante.Arfava exausta, as pernas tremiam-lhe, o corpo desfalecia lentamente, sentia o cansaço invadir, os poros abertos e gotejantes.Jogou a mão tateante, procurava o buraco, às cegas queria abri-lo mais, introduzir um dedo e assim talvez conseguisse que ela se desprendesse definitivamente.Um vapor quente subiu-lhe ao rosto, corou, deixou-se escorregar flutuando até à lâmina de água que lhe corria entre as pernas.A sede desnorteava-a, podia perder o controlo, segurou-se apertando firmente a vara, encostou a cabeça e num acto reflexo passou os lábios por ela, revirou os olhos de prazer, um cheiro a ervas silvestres transportou-a por instantes a um paraíso fresco, um opurtuno oásis, na rota do desejo, da sua sede ardente.Tinha o dedo no orifício e prescutava com todo o cuidado para nada danificar, os dedos grossos enchiam-se de um cuidado excessivo quase grotesco, sentiu um hálito quente envolver-lhe, primeiro a cabeça, depois todo o corpo do dedo, sondou com mais cuidado, uns pequenos cílios ondulantes varriam-lhe as falanges, incitavam-no a penetrar mais fundo, num gesto decidido enfiou tudo chocando com uma matéria esponjosa.Ahhhhhhgg - exclamou! os olhos em alvo, olhavam cegos o Céu procurando resposta, auxílio do alto, uma onda inebriante tomara-lhe o cérebro de assalto, tudo se turvou e desfaleceu num clarão de uma brancura inexplicável.António Tavares acabara de dar uma forte turra na carcaça do barco, quase perdendo os sentidos, despertou com o toque do telemóvel embrulhado num plástico em cima do banco da barcaça.Sim! Está! António, atende por favor! reclamava Deolinda, agora acoitada na camioneta à porta do santuário.Fátima ergueu-se! Vénus renascida! A água escorria enchendo de pérolas a pele mármorea rosa desmaiado, puxou a toalha cubrindo-se; no espelho embaciado uma Virgem surgiu.Valha-me a Virgem Santíssima, que quase aqui me ia indo!Não responde? ainda “n´a se veie” exclamou irritada Deolinda de Jesus.A Virgem contemplava enternecida o corpo do milagre, não acreditava ainda que se tivesse vindo! Na banheira? Interrogou maliciosa.- É bom, humm, muito bom… suspirou!

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Parecia-lhe estranho que os sentimentos alheios fossem tão indispostos.Há muito que não sentia tristeza nem dor, a sua disposição para a vida era excelente.Desanimar porquê?O céu e a terra bastavam-lhe, não queria mais do que isso, quere-lo era perder tudo e ser infeliz – pensava, seguindo o velho poeta do tempo Salazarista.Tudo nessa época era exacto, metafisicamente correcto.Deixava-se escorregar pelos momentos como um miúdo no parque de diversões.Tudo o divertia, mesmo quando arrepiava os nervos da maltinha ,que sentia pulular à sua volta. Carrinhos de choque suspensos na violência dos embates.Espera fanática de um desastre fatal que justifique o empenho de uma vida de inútil afã.Andava pelas ruas contrariando a pressa. Esfregava os ombros nas paredes, pisava o chão como se tivesse barbatanas, deixava o olhar prender-se no brilho oculto das pequenas dignidades escondidas da fúria cega do tropel.Com tudo falava, mimava os seus interlocutores como um espelho, sabia como Alice que do outro do lado espelho tudo era possível e mágico.Interessava-se pela magia, não a dos magos, mas a que se suspende entre dois olhares, entre ver e não ver.Tudo era fugaz e fantasticamente emocionante.Tentava registar esses momentos gloriosos mas ao fazê-lo a vida resplandecia mais alto com novas maravilhas e aventuras deixando a memória naufragar no imenso oceano do esquecimento.Tratava os homens célebres por tu, grandes artistas e escritores faziam-no sorrir malicioso, cumplicidades de infantário, brincalhões como ele sugeriam-lhe pequenas aventuras à revelia do olhar de caserna, das pessoas a sério, dos que tem que Ter para Ser.Fugia quando o queriam pegar pela manga, corria nu largando pele e andrajos, o vento lavava-lhe os olhos húmidos de uma tristeza feliz de não deixar o tempo silenciar-se, cantava hinos que lhe brotavam da alma como o suor do corpo.Pouco falava, também, não tinha interesse nisso, as palavras não lhe diziam nada, nunca lhe ocorreu mumificar o pensamento numa frase, balbuciava alguns sons que por vezes se pareciam com nomes conhecidos mas os olhos andavam mais depressa que a língua e as palavras caiam no silêncio antes que nos nossos ouvidos sonasse a finados.Um dia disseram-me que tinha saído em voo planado por uma janela de 5º andar, esmagou o corpo contra o chão depois de ter voado alguns segundos em radiosa felicidade, o povo estava atónito e repugnado com a façanha.Dizem que há um País onde habitam os génios, para lá chegar, os seres escolhidos encasulam durante uns tempos em narcísico deleite até que lhes nasçam umas translúcidas e brilhantes asas.Desde essa altura fico apreensivo com a ligeireza e leveza de certos seres e perfeitamente indiferente à densidade de outros.A inteligência e a estupidez tem pesos e espaços diferentes, de outra forma, não caberíamos todos neste mundo pequenino.
Diário de Fernandinho Artista Pintor de Sucesso Tenho 49 anos pertenço à chamada geração hippie, que em Portugal é a que tinha dezanove/ vinte anos quando se deu o vinte cinco de abril.A minha geração parece ter tido o seu clímax na Avenida de Roma nos fins de 60 e princípios de setenta Éramos os “enfants terribles” da burguesia liberal,os vulgares meninos “queques”, por contraponto aos meninos” bem” da linha.Os nossos pais são filhos de pequenos comerciantes e não grandes latifundiários ou banqueiros, como os dos betos de Cascais, afilhados dos Champalimauds, dos Melos ou Espirito Santo.Os betos davam- nos raiva, mas ao mesmo tempo admiravamos a sua classe. Éramos novos ricos e gebos! Levavam sempre a melhor no estilo e nas maneiras, parece que nos viam a careca quando armava-mos ao pingarelho, ironisavam sempre a nossa falta de jeito para ser finos.Só o dinheiro fresco os calava, pois a maior parte eram uns tesos, tipo pelintra, alugavam a sua companhia em troca da subvenções para as despesas nos copos e festarolas .Cheguei muitas vezes a mentir a minha origem social para me livrar da humilhação que me causava ser filho de um Silva, um Santos ou outro nome plebeu e vulgar, inventei parentes brazonados, quintas no norte, sangue estrangeiro.Hoje em 2004 trinta anos passados pertenço à esfera dominante dos possidónio que representam as altas rodas. Agora tenho à perna os filhos das empregadas, a colarem-se numa de promoção, sirvo-me deles, fazem-me favores, mas ignoro-os quando o social exige.A sociedade hoje é menos selectiva, mais confusa e promíscua mas o faro promocional não se perdeu, eu sei quem interessa na minha sede de poder.Achei a determinada altura, que era fino não trabalhar em coisas vulgares, plebeias, lembrei-me daqueles filhos de alguém que o eram por ter ocupações nobres e ociosas como: ser artista plástico, poeta , músico, entendi isso como um apelo de geração à criatividade, à liberdade de ser e exprimir o que se sente.O problema é que a minha única obsessão é ser alguém e o conteúdo do que digo ou pinto tem mais a ver com a necessidade de dar nas vistas, de provocar uma atenção basbaque, que me reconheça como um gajo de classe.Quis ser músico e depois de algum esforço consegui mecanizar alguns esquemas que me permitiram passar por artista e até fui contratado para actuar num bar, senti-me um pequeno Dylan, herói dos betos da minha infância.Gosto de música brasileira é ideologicamente a minha luva, novos ricos cheios de vontade aristocrática que os desmarquem da jagunçada. Os cantautores brasileiros são a fina flor do populismo elegante, os persurosos aristocratas da populaça emergente.A mim no entanto falta-me a graça e o jeito, nada em mim é espontâneo, a não ser a cagança, sou arrogante, não brinco em serviço, muito menos com os meus ideais, às vezes tento ser blasé dar uma de desinteressado, mas rapidamente se apodera de mim o medo de deslizar para a mediocridade que me anima profundamente. Amo o que não devo e isso horroriza-me, não gosto de mim. Nem de ninguém!Nunca namorei mais do que um dia, as mulheres podem-se-me colar ao sonho e as minhas ambições traem todas as minhas expectativas. Tudo menos perder este sonho de ser alguém de muito notável.Agora sou pintor, percebi que dava mais prestígio é menos populista, mais ocioso que o folclorismo dos animadores musicais, fora de moda, desde que a mensagem revolucionária deixou de dar prestígio.Nunca soube desenhar, nem tenho especial queda para isso, mas com astúcia vou montando as minhas pinturas que, para gente geba, funcionam como obras primas, copio tudo o que possa contribuir para prestigiar o meu trabalho, chego a copiar 90% do quadro de autores quando tenho a certeza que ninguém vai notar, aliás o meu trabalho, distingue-se por nunca conseguir o nível dos originais, imprimindo um cunho original por defeito que resulta sempre a meu favor.Odeio e amo a espontaneidade dos artistas autênticos. Conheci um que me irritava pela facilidade com que criava. Assustava-me a sua inspiração, o caos nos seu olhar, parecia doido varrido, nada que eu desejasse imitar, porém os seus trabalhos tinham aquilo que nunca vivi, autenticidade, faziam-me corar, defendia-me então dando-lhe concelhos inúteis, mas com o máximo de consideração e falso préstimo. Por várias vezes lhe roubei as ideias devolvendo-lhe o mérito, convencendo-o que éramos membros da mesma linha ou escola.Hoje, porém, já não pilho os amigos, vou direito às personalidades colo-me à obra de artistas de nomeada, estrangeiros de preferência e faço valer a minha assinatura. Trabalho com projectores que me reproduzem o slide na tela, é tiro e queda!Tenho um estilo próprio e defendo-o, houve quem dissesse que os meus quadros são pinturas mas não são arte, deixá-los falar, que eu já vou de Mercedes, e eles a pé. Sou um tipo feliz e realizado, não fosse um problema que me atacou o dente, o que rói, aquele que mexe o músculo da cara quando estamos a pensar.Já percorri todos os médicos, bruxas, curandeiros, mas o raio do dente não pára de me chatear.Como sempre comida natural, preciso de muita energia para a minha ascensão e prefiro poupar-me a grandes stresses, não percebo é esta dor que me rói o dente.Não fosse ela e eu dispararia rumo à celebridade! Funciona como um travão a magana!Coisas inexplicáveis ,como aquele velho amigo artista que fui visitar e que quando o cumprimentei me desferiu uma punhada nas ventas sem mais nem quê, indo-se embora a assobiar.Frustados é o que são esses capados que não tem tomates para singrar na vida
DATE: 12/17/2003 03:07:26 PMNão entendes porque é que os homens te procuram, não sentes nada de especial, ao mesmo tempo que sim, é amor, que sentes pelos teus clientes, pois acho que sim, seria amor que eles procuram. Mas terás tu algum amor? Dignidade… ao te sentires sempre como uma borracha.Dignidade sentirias tu e eles, se se sentissem como humanos dos dois lados, se tu desejasses partilhar amor que tivesses dentro de ti, e ele procurasse também um penico para aliviar um tal desejo de fazer amor, que também deveria ter, mas se vai pagar, secalhar não é tão obrigado a isso como tu deverias ser, ou pretender ser, ele está lá para receber em troca dos euros.Também sou uma mulher só, e concordo com a aversão às gaiolas que referes. Sinto que tenho algumas limitações morais em relação ao sexo, e no fundo admiro as mulheres que tem essa liberdade de andar por aí sozinhas a atacar, mas questiono-me e agora (ainda bem que te encontrei) questiono-te a ti:atacar porquê? , vais fazer mal a alguém? Vais enganar em troca de uns euros, ou vais divertir-te, sentir e dar prazer, e juntas o útil ao agradável e fazes “o teu”, como em outras raras profissões em que ainda as pessoas tem prazer de fazer aquilo que lhes dá dinheiro.Admiro as mulheres que dão uma foda por euros, mas que se divertem com isso, que além dos euros têm satisfação, que não se sentem borrachas, assim como também admiro as mulheres que vivem numa gaiola construida com prazer por elas e eles em consciência e sem mentiras.Ainda há Amor neste Mundo, quem não tem difícil será senti-lo.Dignidade é enlatável? -----
CARLA SOFIA, 8 de Dezembro Conservo a minha dignidade apesar de todos os dias vender o meu corpo.Para a generalidade sou uma mulher perdida.A contracepção não mudou nada neste particular das relações sexuais.Sou livre faço amor com quem quiser, sim amor é o que sinto pelos clientes, não engravido ou aborto para aí como as prostitutas de antigamente.Tomo a pílula, o uso que dou ao meu sexo não é exagerado .Nunca fodo mais do que 10 vezes ao dia, ganho cerca de 50 euros por foda. Broche e cú não faço quase nunca, preciso de maior entrega pessoal.Não entendo muito bem porque os homens me procuram, o meu desejo é nulo, quando introduzo o caralho na cona não sinto nada de especial, apenas um preenchimento, uma espécie de bucha, finjo um pouco de envolvimento quando vejo que ajuda o pobrezito a vir-se mais rápido.Estou habituada a que me mecham como se fosse uma boneca de borracha, apalpam-me o cú e as mamas é só o que deixo fazer mas sem brutalidades.Os homens são muito histéricos, de uma forma geral, não se apercebem que têm um ser humano do outro lado do seu desejo.É assim, nesta profissão é preciso uma paciência de santa. Considero a minha actividade um ramo da enfermagem.O sexo está doente, porque não há amor neste mundo, a almas estão doentes, as pessoas não se podem amar ou sentir sem que isso lhes dificulte a vida. Tive namorados que me quiseram tirar desta cena, para que ficasse na dependência deles e da sua vontade de posse, como se eu fosse um objecto, ou uma criada para todo o serviço. Recuso essas gaiolas e ando por aí sozinha atacando pelos cafés ou outros locais de engate.Conheço todos os dias homens que raramente volto a ver, para eles virem-se dentro de mim é como urinar no penico, uma função, sou uma máquina de orgasmos rápidos e garantidos para os meus clientes.Todos os dias lavo a minha coizinha com desinfectantes próprios mas não permito que me introduzam sem camisinha. Carla Sofia, 23 anos
Augusto Tavares, 8 de Dezembro Ontem á noite quando fui para a cama, a minha pobre tarimba ao canto da barraca, lembrei-me de ti.De como eras feia nessa altura e hoje te puseste linda, ainda te amo e desejo, és a mulher da minha vida, para os outros, os homens com quem vais és a princesa o pitéu de uma noite para esquecer as mortes do dia.O nosso filho acabou na sanita vomitado em postas de sangue vivo vi-te quase desfalecer nos meus braços para salvar o nosso lar da grilheta de mais um filho amado mas não desejado.A vida não nos deixa viver, mata-nos cada vez que o sol nos aquece um pouco a esperança.Todos os dias olho do andaime cá para baixo e penso o fácil que seria deixar-me cair no cansaço e cravar-me no asfalto juntando o meu sangue empastado ao dos nossos sonhos cuspidos na sanita.Doi-me o corpo é o bálsamo que apaga da mente vidas que não serão nunca minhas.Se algum dia puderes sobrepor a tua raiva ao pão que engoles com baba de patrão lembra-te de nós miúda, e faz o que tens a fazer! -----
Até que enfim que alguém diz qualquer coisa verdadeiramente construtiva.Temos que subir a fasquia das nossas exigências de verdade e honestidade .A humanidade não presta, há mais animalidade que humanidade,Sejamos soberbos na ambição de superar a mediocridade do homem actualEsquecer o futuro que prolonga o passado até à vertigem da perda de tudo.foi a descoberta base do Portugal descobridor.Viver não é preciso navegar é preciso! Capado de tudo
Quebrar o Circulo encantado colocando lençois estilizados sobre o próprio corpo,será o unico meio de evitar o abortamento colossal e a fatal ignorância. Porque o saber não é um dom que um possa entregar e outro receber passivamente, antes uma conquista que cada um deve fazer e refazer por conta própria.toda a concepção quadrangular, esférica, circular, ou mesmo a transformação em espiral do Homem, são, e serão, sempre, uma visão parcial do domínio natural escavado e repudiado continuamente, pelo próprio Homem no seu avanço progressivo que se encaminha para a total compreensão poética do Cosmos. in "poesia" António Maria Lisboa-----
"NADA MAIS ODIOSO QUE OS INCANSÁVEIS.OS DEMASIADO OCUPADOS EXIBEM O ESPECTÁCULO DO EU,NO FUNDO O QUE SE ESCUTA É A CHAMADA DO EFÉMERO... O INFRA LEVE, CARACTERIZADO COMO UMA SOMBRA UMA CARÍCIA, UM ROÇAR LIGEIRO, UM CALOR QUE SE DISSIPA,UMA IMAGEM REFLECTIDA "ALEGORIA DO ESQUECIMENTO"AS COISAS DESCANSAM NO RETORNO À MORADA, À ESSÊNCIA, CONDIÇÃO HUMANA ESSENCIAL: A DO TACTO, QUE SENSIBILIZA A MATÉRIA.O IMPORTANTE NÃO É O CANTO, MAS O SILÊNCIO.A LUTA QUE RENUNCIA AO MURMÚRIOPARA CONFIGURAR UM ESPAÇO,QUE É O DE OUVIR.O ABORRECIMENTO É O PÁSSARO DO SONHOQUE INCUBA O OVO DA EXPERIÊNCIA. O TRABALHO É UM DOGMA DESASTROSO.A SECULAR TORTURA DA HUMANIDADE QUE MOLDOU O HOMEM MODERNO.ESSE AUTO ALIENADO, AUTÊNTICO ALIENÍGENA DO ESPÍRITO. A VERDADEIRA PREGUIÇA SERIA NO FUNDO A PREGUIÇADE NÃO DECIDIRDE ESTAR ALICOMO O PIOR DA TURMA QUE ESTÁ NA PARTE DE TRÁSE NÃO TEM OUTRO ATRIBUTO SENÃO O ESTAR ALI.A PREGUIÇA É INTOLERÁVELA SOCIEDADE TEM-NA COMO UM MAL RADICAL.DESCONHECEM QUE A PREGUIÇAÉ UM MOMENTO DA CRIAÇÃO.A DECOMPOSIÇÃO DO SUJEITO DÁ-SE ATRAVÉS DE UM ABANDONARAO MONÓTONO SEMPRE DIFERENTE.JÁ NÃO FAZ FALTA DAR RESPOSTAS. NÃO É NECESSÁRIO BUSCAR NAS PROFUNDIDADES.A SUPERFÍCIE, A PELE É O QUE INTERESSA. É SEM DÚVIDA O MAIS PROFUNDO.ESSE NIILISMO PODE ACTIVAR-SE COMO UMA POTÊNCIA TRANSMUTADORA.A PREGUIÇA PODE VOLTAR-SE CONTRA SI MESMA.CENSURAR DA MESMA FORMA A IMPACIÊNCIA NEURÓTICA.A VONTADE SISTEMÁTICA E A APÁTICA PACIÊNCIAPIEDOSA DE JOB...SIGAMOS O IMPERATIVO DE LESSING:SEJAMOS PREGUIÇOSOS EM TUDOEXCEPTO EM AMAR E EM BEBER.EXCEPTO EM SER PREGUIÇOSOS." in Fernando Castro Flores, 1992, "Elogio da Preguiça"