sábado, 22 de maio de 2010

Olhava para baixo, o queixo apoiado nos flocos de algodão, ondulava nas correntes mornas vendo e não vendo o que sempre se aproximava, talvez o viessem importunar?... algum carente, por ali sempre havia quem se quisesse içar e não olhasse a meios para o fazer. O vento no entanto, encarregava-se de o afastar dessas figuras funestas. A luz sugava-o como uma mãe protectora: Vem para aqui amorzinho! Sibilava-lhe baixinho. Deixava-se então, levar pela brisa cálida, girando sobre si próprio, rebolando ao sabor dos amenos safanões como uma folha de diário rasgado em dia de bons auspícios. Via o pequeno buraco negro donde em tempos partira expelido pela fumarada sulfurosa que o arrotou para a claridade fresca de um dia de outono lúcido e justo. Era o que pedia, os olhos lavados da manhã, esperando firme o autocarro para o Lumiar.Estrelinhas cintilantes cravadas nos dentes olhavam–no, berlindes zarolhos de afeição e malícia, ofegante como uma boca de rã, escorria babas e molhos. Tinha chegado a hora das delicias, o papo-seco, o fiambre, espremiam queijos frescos pelos queixos abaixo, os lábios percorriam sôfregos essas estradas gulosos e altivos. O amor procurava-se na língua tesa penetrando a boca, direito à campainha.Trin-trin, os olhos viravam-se para dentro e um sol cegava tudo, era o vento que o içava pelos os ares, nariz enfiado nos fios de reflexos acobreados a cheirar a shampô de limão. Celeste era o seu nome, D a sua turma. Extractos do” Diário de Borbulhas”Edições da loja.

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