sábado, 22 de maio de 2010
...Enquanto Elliot e James fecundavam a sua estranha cumplicidade no lusco fusco dos vazios aposentos do palácio de Miss Elliot na província da Parvónia, lá longe nas lindas praias da Costa Sul Anton Mechirikov, rondava o quarteirão atraído pelo cheiro a rosas das várias lojas de flores que o bairro possuía.Mechirikov sempre fora um sentimental fanatizado pelos perfumes, nada o contrariava mais que o cheiro a cadáver que, por vezes nas sarjetas das ruas se fazia sentir, quando por distracção ou descuido alguém deixava o lixo doméstico à porta das belas lojas do bairro.Esse era o hábito de James, o gosto imundo fazia-o transformar a bela atmosfera florida e odorosa do Petit Cartier (assim era conhecido o “pequeno bairro”) num nauseabundo sarcófago que, da sua janela na torre, olhava com apetites vorazes de vampiro senil em busca de faustosos repastos que, a memória da Parvónia lhe trazia para seu desconsolo e tédio. Dirigia-se então, para a sala de banho à procura dos despojos menstruais, consolando-se depois na cozinha com caldinhos masturbatórios cujas receitas enviava aos amigos, entre os quais e em destaque Miss Elliot.Mechirikov conhecia-o, quando dissimulado de jardineiro o ia visitar para, a pretexto das tertúlias agronómicas em passeios didácticos, procurar nas ervas secas algum cadáver a jeito onde pudesse ferrar. Generosidade que os verdadeiros predadores tinham para esta rapina incapaz de caçar o que fosse para alimentar a gula desorbitada que se lhe sentia no olhar.Por várias vezes, James tinha sido escorraçado quando tentava espetar o dente em presa viva : uma pata choca, ou mesmo uma andorinha do beiral, eram presas inacessíveis à sua desajeitada destreza de abutre, só os despojos eram acessíveis a esta ave agoirenta. O mesmo se passava com Miss Elliot.(...) Extractos do Romance inédito “Abutres e Hienas”Sir Joseph Badmington, London 1839
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