sábado, 22 de maio de 2010
O elevador entupido impedia os inquilinos do rés do chão de sair do edifico pela boca do incêndio.A situação conduzia a alucinações incomodas, tonturas e desfalecimentos Bill era obrigado a reagir, erguia-se subito e circulava em volta dos próprios pés, engoliria em seco todos os sapos que pudesse o importante era sair daquele estado de alerta máximo.Cá em baixo outro tipo olhava-o estupefacto, pensando que tamanho incêndio teria de ter causa criminosa, oscultava os bolsos da consciência para se certificar de que não era ele o incendiário ,a duvida consumia-o não sabia quantas leviandades o tinham conduzido ás aras do crime O espelho não quisera saber dele devolvia-lhe sempre o mesmo rosto ,por vezes via –se como o assassino de olhos de platina que iniciara a morte da Arte, algures, na terra de Jack o estripador ,numa Paris-Londres bruxuleante de lantejoulas de petróleo e gás de iluminar a rua.Em tempos tinha habitado o prédio, embora nunca lá tivesse querido residir Para si era normal andar pelas ruas erradas a procura da sombra teimosa que o ignorava como a um filho desnaturado, morto que estava para a luz do dia e para as mãos de lavrar a terra e saborear os seus frutos . Deglutia com a saliva da ganância e o medo cariado dos dentes sarcásticos o pão da angustia. Sentia-se filho da chuva e do granizo e das noites passadas ao relento nessa varanda virada ao vazio Agora podia a ver arder para todo o sempre, A vertigem de saber que o cuspo sabia a fel e não estava pronto para a cadeia , Fecharia o pensamento para todo o sempre, seria de outros o que sempre achara seu, como as pegadas de uma mosca lavadas por torrentes de insignificantes gotas de orvalho.Os olhos estrelados de vermelho ,reflectiam as matizes do fogo aceso no topo do prédio que se consumia num fósforo ,hirto como um condenado á inquisição Era o adeus aos laços cor de rosa de uma vida de esquecimento e abandono, no sulfuroso lar que aí construíra, para a missa do quotidiano em família, e sermões de sobremesa fria no palco da geladeira. Do romance "Contos da Praceta" de Alda Pinto-----
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